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Com doação, grupo de doadores da União Nacional LGBT comemora uso do nome social nos hemonúcleos
Com doação, grupo de doadores da União Nacional LGBT comemora uso do nome social nos hemonúcleos

Por Daucyana Castro

O Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemomar), que faz parte da rede estadual de saúde, emitiu uma orientação técnica à sua hemorede estadual para adaptação do sistema e adequação de suas rotinas de atendimento, a fim de garantir direitos à população LGBTQIA+. A orientação é fazer o uso do nome social nos hemonúcleos. Assim, será possível tratar os candidatos à doação de sangue pelo seu nome social nas várias etapas do ciclo de doação de sangue. A medida ocorre na Semana da Visibilidade Trans, que acontece até a sexta-feira (29).

Nome social é o nome pelo qual pessoas transexuais ou travestis preferem ser chamadas no trato social, em contraste com o nome oficialmente registrado em seu documento de identificação civil, que não reflete a sua identidade de gênero. Ser tratado pelo nome social é um direito legal adquirido e já praticado no Brasil.

“A orientação de chamar pelo nome social sempre existiu, o que fizemos foi formalizar no sistema. E isso foi de grande importância para essa população e um ganho também para nós. Tempos atrás, a gente deixava de atender esses doadores por conta da restrição da portaria do Ministério da Saúde, e são pessoas saudáveis, que podem estar dentro dos critérios de doação e, assim, contribuir para ajudar a salvar a vida de muitas pessoas”, explicou a diretora técnica do Hemomar, Marcela Tupinambá Cabral.

Para comemorar a conquista, um grupo de pessoas da União Nacional LGBT esteve no Hemomar, na terça-feira (26), para doar e realizar uma roda de conversa sobre o assunto com os doadores que estavam na unidade.

“A portaria do Ministério da Saúde existe desde 2019 e agora está sendo aderida por estados e municípios. Ainda tínhamos dificuldades em alguns espaços públicos, principalmente em unidades de saúde. Estamos aqui para levantar essa discussão e garantir o direito da pessoa ser reconhecida pelo nome que quer ser chamada”, disse o presidente da União Nacional LGBT no Maranhão, Breno Santana.

A estudante de enfermagem e trans Jaqueline Rodrigues Costa, de 30 anos, doou sangue pela primeira vez e relatou a felicidade de poder participar deste ato de amor ao próximo. “Por ser da área da saúde e saber que muitas pessoas precisam do sangue para sobreviver, sempre tive muita vontade de doar. Estou feliz de poder estar fazendo essa doação, porque antes não podíamos. Estamos quebrando barreiras. É uma grande evolução, mostrar que nós temos também o direito de doar sangue e de salvar vidas”, disse Jaqueline.

As restrições à doação por parte do público LGBTI+ foram extintas no ano passado após decisão do Superior Tribunal Federal (STF). Antes, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária só permitiam a doação sanguínea se homossexuais passassem um ano sem relações sexuais. A decisão do STF derruba a proibição e garante que homens gays, bissexuais e mulheres trans passem pela triagem clínica regular feita por todos os demais doadores voluntários.

<strong>Doação

Para doar sangue, os voluntários podem agendar pelo WhatsApp (99162-3334) ou se dirigir ao Hemomar ou aos Hemonúcleos no interior do estado. Em São Luís, o Hemomar fica localizado na Rua Cinco de Janeiro, s/n, Jordoa. Entre os critérios para a doação estão: ter idade entre 16 e 69 anos (menor precisa estar acompanhado de um responsável legal); pesar mais de 50 kg; não ter ingerido álcool nas últimas 24 horas; estar em boas condições de saúde; entre outros.